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Em Breve Excluirei todos esses Blogs, e terei um novo.
“... o Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas.”
“Ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante. O Lobo da Estepe – Hermann Hesse (no tratado do Lobo da Estepe, “Só para loucos”).
Este texto surgiu como idéia de uma amiga, a Renata, quando me aconselhou escrever algo sobre a minha “natureza dual”. E o Hermann Hesse, me diria sabiamente que não existem apenas duas naturezas que dentro de mim debatem, mas sim diversas. E que por grande desespero de analisar e simplificar as coisas, eu teria me reduzido a dois lados, tornando-me assim insatisfeita. Quando o lado feroz se manifesta, um outro generoso vem a se machucar; quando o mais sensível se expõe, um outro se torna insurrecionado.
Rê, também lhe agradeço pela foto da lua.
Não irei chamar aqui os meus aspectos de duplos, mas ao menos não hei de negar que são contraditórios. Inda nessa quarta-feira, sentia as náuseas de além de estar constantemente a lutar com eles, ter que escolher por um deles devido à oposição destruidora.
Leram na quarta-feira a minha mão, e disseram-me para que eu siga o caminho que me mostra a peça esquerda. Um caminho místico e de grande bondade para com todos, eis que me disseram que há isto em mim. Entretanto, a mão direita vem a mostrar grande loucura e falta de refinamento em minhas vivências. Meu lado não só negro, mas anulante de qualquer existência – um caminho de desgraças, uma alma de maldade, vícios e preguiças, que também há em mim!
Após a consulta, a caminhar com as mãos cerradas no bolso, fazia-me alguns questionamentos – embora, eu não consiga esconder de vocês que uma espécie de enlêvo estava andando comigo, pelo fato de eu ter grandes obrigações e trabalhos a serem feitos; como quando dizem a uma criança que suas mãos delicadas podem suportar o universo. Vinha-me a cabeça, por exemplo, como era cruel que eu tivesse agora que andar com a alma cheia de medos (já me bastava os tantos outros, viera-me mais esse), de que a minha parte mais frouxa viesse a tomar detenção do destino.
Parece um paradoxo “a parte mais frouxa” ser quem vence, contudo não é o que parece ocorrer na implementação. Agora, por exemplo, embora haja necessidade de que eu componha sobre isso – além do mais, estive quase a fazer promessa – há algo dentro de mim que quer logo terminar tal texto! Quer urgentemente, pois eu mais estou a pensar num certo alguém que não me escreve, não me faz tocar o telefone, ou seja, nas minhas saudades! Pouco me importo agora. Portanto, deitar-me-ei na minha cama ao lado e embora esteja a lastimar de tal falta, nenhum chuvisco hei de alastrar – precisamente sou dual, a ponto de sentir consternação e não representá-la.
O texto ficará para uma hora qualquer. E a Renata haverá de me desculpar, estou extraordinariamente agradecida pela idéia dela, todavia não farei jus a isso. Somente para preservar um lado que clama por preguiça e clemência quanto às minhas escassezes afetiva.
Hoje somente ouço Elis Regina, e aguardo até que à noite possa ouvir o que tanto quero - segredo.
Querem ouvi-la junto comigo, por enquanto?
http://radio.terra.com.br/includes/internas_albuns/3/3684.html

“Os soluços são meu alimento, e meus gemidos transbordam como água.
O que eu mais temia aconteceu para mim, e o que mais me apavorava me atingiu.
Vivo sem paz, sem tranqüilidade e sem descanso, em contínuo sobressalto”.
Jó 3-4
E ao fundo toca-se a Valsa em Lá Maior, Op. 69 nº 1 BI. 95 “L’adieu”
- Fryderyk Chopin; quando começo a escrever...
Há algumas horas não me imaginaria sentada nesta cadeira vacilante - hora eu a empurro para trás, noutra para frente - , já que é noite e eu assim,
poderia saudar com maior coerência a beleza que tenho visto no adormecer. Todo o meu corpo e espírito licencioso,fadigado de enxergar todo este mundo de equipes a bordo, vem a se atrair na minha intensa cefaléia. Deito-me, comumente deito-me... Pois é pior que tenha que a carregar todo o meu maciço sem a concentração que o mundo não me oferece. Pois tenho que também estender a ele as minhas mãos trêmulas e roxas - com a minha circulação a prender-se nas mãos, e então, ficam demasiadamente pesadas para que eu possa também, bamba, agarrar o “artefato” mundo.
Ao estudar, sento-me com um medo arruinador. O que será de mim que já não me porto mais, a caminhar nos livros? Eu sou quem me deito por cima deles com os olhos esfalfados e fechados. Não sou nada. Ou serei? Depois de notar que não mais consigo estabelecer contato e me regozijar com a maravilha de ter bom patente e intelectualidade para o bem de nossa sociedade, fico a pensar o que me resta. Eis então que me surge o medo.
Desfaleço na minha densa inveja, de já não mais ter felicidade em tais coisas. Vou a fundo nas informações que coletei, e num cuidado desesperançado, tento “ser” - por mais angustiante que me seja, pois afinal, nosso mundo é bom e posso “compor” a minha personalidade abodegada através de inúmeros métodos terapêuticos!
Sinto-me sendo consumida numa alma hipocondríaca. Relembro-me - pois há quem enalteça, ao menos a minha memória - dos episódios traumáticos de minha infância. Esforço-me para achar intenso horror e decair-me em pena, quando, por exemplo, encontrava-me a chorar no chão da cozinha, escondida por baixo da mesa a pedir o colo sofregamente de minha mãe, e ter ao invés disso levado um diáfano tapa na cara. E há o episódio de ter sido trancada no quarto, em encovada escuridão, por horas, apenas a comer um hot-dog. E durante tais flashes fico a tremer, ansiosa para encontrar o meu crucificador.
Dá-me pânico ao pensar que estou a desenvolver uma personalidade narcisista, que nem sequer sinto o existir do mundo e da vida, simplesmente por causa da minha infância melancólica. Minha procura eterna por uma mãe que se torne ser uno - ao grudar-se nos meus batimentos acelerados. Enche-me a mente de parvoíces. Tenho ainda que conviver com a possibilidade de perder a razão - e sinto que pouco dela me resta - e isto é intensamente possível! As probabilidades não estão muito distantes... Em qualquer dia de maior desconforto (e sabe-se que os jovens quando se sentem lastimados tendem a partir para a agressividade), somado à minha antipatia por todo o social, e extrema anarquia para com toda a moral, além do apego ao mórbido; venha a tacar machado num sujeito. Sim, e eu tenho que sobreviver mantendo-me lúcida e “nas ordens”.
Ao ter-me desorientado de tudo o quanto o viver amorfo me oferecia - tudo que manteria a minha alma mais quieta - sofro a cefaléia dos rebeldes, que deixam de haver. Contudo, ainda me alimento de algo, do meu medo. Ele surge porque ainda não sei como existir sem “pertencer”, e “agarrar”, ainda não sei... Às vezes minha fantasia branda para as “profissões” que o universo, também oferece aos desesperados e àqueles que se deixaram distrair da agulha magnética da sociedade. E a tentação em destruí-la e ver-se longe dela não é abismal, pois há ainda a faixa dos marginalizados e ruins, a que posso reclinar meu corpo descarnado.
E tudo pára, quando sinto que aquilo que me ocorre, é simplesmente, não saber como e o que “ser”. E vendo-me longe de cingir com gratidão todo o saber, bonança e centralização do “bom lado”, vejo-me perdida. E o que me atormenta, é simplesmente o medo de agarrar um outro lado, jamais experimentado em totalidade e concretamente, ainda. Pois, destino-me a pensar, que só posso ser o que me mostram e vejo. E se sou insurrecta em não me satisfazer com o padrão de saúde humana, resta-me apenas a destruição já manifesta. E o que agora me salva, e pensar que possa a vir a ser nada, ou qualquer coisa que eu invente.
28 de fevereiro de 2005.
Relato dum Sonho - "profecia criativa"
Nesta noite sonhei que me encontrava num elevador. De repente um homem com olhos cheios de impressão, apareceu-me. Não hei de negar que já o conheci em vida real, quando me encontrava no supermercado a comprar pasta de dente, e eis que me aparece com os seus olhos azuis de doido, excessivamente faiscante, a contar-me toda a vida - e eu lhe contei uma história inventada, a respeito da minha. Mas, como falávamos do que eu vi em sonho, quando me encontrava sem um porquê aparente no elevador, apareceu pulando em minha frente:
- Hei! Prepara-te, pois o elevador há de tremer! Lembra-te que andava a te sentir morta?
- Ahã!? Que olhos! ... Sim, mas apesar de todas as desgraças que têm me ocorrido, sinto-me excessivamente viva agora. Estou a ver, moço, que na verdade tudo vem a ser aprendizado. - disse-lhe, embora não conseguisse disfarçar o meu desânimo, por causa da postura cansada e das roupas rebeldes.
De repente o elevador veio a tremer, conforme eu tinha ouvido, e logo veio a estacionar. E então, aquelas palavras eram lúcidas! Prestei-lhe maior atenção, vi que se agregava lentamente à minha direita. Parou. Deu um sorrir que me lembrara o lunático dum filme de Stanley Kubrick, e logo senti as minhas pernas amolecerem-se, e pus-me a sentar, curvando o corpo e me rendendo - não mais daria qualquer feição de força!
- Não seja raquítica! Bem sei dos teus medíocres esforços (dizia-me baixo, sempre muito baixo agora...), mas lhe trouxeram até aqui! Há de sentir e absorver toda a força vital de Marte!
- Moço? Como? - disse-lhe, enquanto erguia o meu rosto, descortinando-os dos braços anêmicos.
- Sim, estamos a viajar para o núcleo de Ares... Lá visualizará todo o temor e horror da guerra (aliás, são os filhos deste lugar para onde iremos) e terá que ganhar vitalidade e força! - sempre animado, a pular e já aumentando o seu tom de voz; e eu já não podia mais dizer que me falava tudo baixo.
- Força... Pois força é o que me falta! Mas... eu não entendo. Marte? Elevador? Você!?
- Cala-te! Estou a lhe dar chances para que absorva tudo o que tinha que aprender num Karma anterior! Antes de chegar nesse... pois já está a te lascar toda! É possível que está tendo essa chance, de recuperar aquilo que aprendeu mal em tempos atrás, já fora de tua memória.
Calei-me assim como foi pedido, pois já fazia com que minhas sobrancelhas ficassem tortas pra um lado, como quem se mistura em desconfianças e curiosidade. Impressionante! O que iria me ocorrer eu não sabia, e eu tinha um caapomonga ao meu lado, entretanto, era quem iria apertar o botão verde luminoso e levar-me ao "núcleo de Ares"! E o que seria isso?
Levantei-me, já antecipando toda o corpo heróico que haveria de tomar, e embrutecer toda a roupagem, e talvez, até mesmo colocar um capacete de guerra. E eu analisava calmamente a telepatia que me era transmitida, de que o “núcleo de Ares” na realidade, tratava-se de uma intensa batalha. Para quê? Para tomar forças e a tal da vitalidade; tratava-se primeiramente de auto-afirmação.
Continua...
E eu me encostei mais às laterais do elevador, pois me parecia que seria longo o falatório. Mas, foi breve, apenas disse-me e fiquei sem entender nada: que as coisas evoluíam e às vezes não só numa vida! E eu tinha perdido há tempos no mundo de Marte ou Ares por desistência e covardia, pois estive anteriormente dissimulada por afagos de Netuno, extremamente ilusório e protetor. E com violência, após creio que da morte, nasci em Marte e depois, creio que...
- Creio que em Vênus! E não pode dizer que nasceu “em Vênus”, mas sim sob a lição “de Vênus” . Ou seja, precisa desenvolver coisas como o amor, o relacionamento com o mundo externo, com as pessoas. É preciso ser exteriorizada e sociável, não se esquecendo jamais de adolescer o teu afeto sólido e palpável. – contou-me com um ar de austero professor.
Levantei-me e de repente vi-me largada numa selva sem qualquer arma, após ter visto o homem me adoecer com os olhos azuis coruscantes, apertando o botão dum verde tão agudo que me ficava seu ponto cintilante na visão, mesmo após tê-lo longe... Jogou-me ao “núcleo de Ares” para que eu pudesse aprender a resistir toda a brutalidade, a toda competição e não me perder de mim, apesar da circunstância. Pois estava anêmica num mundo daqueles que já tinham se afirmado, pois já tinham afrontado sem covardia todo aquele orbe de sangue.
E depois, voltaria a todos os prazeres que no núcleo de Vênus me eram oferecidos, e saberia apanhá-los e compartilhar com todos tal eloqüência, do deleite de viver. 24 de fevereiro de 2005.
Há tempos já pensava em criar um blog onde pudesse "prosar". Ocorre-me de já ter um, entretanto só publico poemas nele. Sou anti-prosa na verdade, e resolvi fazer o teste para ver se de fato não a suporto. Defendo a expressão espontânea e fácil das idéias: com versos tudo pode ser rapidamente captado e não é preciso ter maturidade e coêrencia para trazer beleza à coisa.
Dentre muitas qualidades, o poema também não te cobra ótimos conhecimentos gramaticais, ortográfico etc. Basta jogar palavras - é bom que se faça de forma não muito vulgar, mas não é preciso ser um erudito em língüa portuguesa - , e até os neologismos são bem vindos, pois se demonstra originalidade ao usar termos apoéticos (e na prosa, trata-se de vício, falta de bom e correto vocabulário).
Aquela sua filosofia mais doida pode ser expressada através do poema, e os símbolos contribuem muito para isso. Em prosa devo ter explicações bem consciêntes e formuladas de tudo aquilo que vou dizer - ou seja, ser mais científica e deixar em segundo plano a arte.
O que estou a propor a mim ao fazer isto, é provar que estou errada e discrimino a prosa, pelo meu pouco contato com ela. Então, vou deitar de fato os dedos e correr rabiscos na tela - e tentar a ordem sem perder o lado espontâneo da arte. Mas, enquanto aqui estou a fazer nascer o blog - vejam, que só a cabecinha ainda saiu, dum parto que está a ser doloroso - dêem uma olhada em meus poemas:
http://arcanosdafemeapensante.zip.net (Uns Versos Quaisquer)