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                     Em Breve Excluirei todos esses Blogs, e terei um novo.

- Postado por: Karina às 21h57
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“... o Lobo da Estepe levava sua própria natureza dual e discordante aos destinos alheios toda vez que entrava em contato com as pessoas.”

“Ocorre, entretanto, que quando vivia como lobo, o homem nele permanecia como espectador, sempre à espera de interferir e condenar, e quando vivia como homem, o lobo procedia de maneira semelhante.                                                                                             O Lobo da Estepe – Hermann Hesse (no tratado do Lobo da Estepe, “Só para loucos”). 

                Este texto surgiu como idéia de uma amiga, a Renata, quando me aconselhou escrever algo sobre a minha “natureza dual”. E o Hermann Hesse, me diria sabiamente que não existem apenas duas naturezas que dentro de mim debatem, mas sim diversas. E que por grande desespero de analisar e simplificar as coisas, eu teria me reduzido a dois lados, tornando-me assim insatisfeita. Quando o lado feroz se manifesta, um outro generoso vem a se machucar; quando o mais sensível se expõe, um outro se torna insurrecionado.

  Rê, também lhe agradeço pela foto da lua.       



- Postado por: Karina às 17h17
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           Não irei chamar aqui os meus aspectos de duplos, mas ao menos não hei de negar que são contraditórios. Inda nessa quarta-feira, sentia as náuseas de além de estar constantemente a lutar com eles, ter que escolher por um deles devido à oposição destruidora.

            Leram na quarta-feira a minha mão, e disseram-me para que eu siga o caminho que me mostra a peça esquerda. Um caminho místico e de grande bondade para com todos, eis que me disseram que há isto em mim. Entretanto, a mão direita vem a mostrar grande loucura e falta de refinamento em minhas vivências. Meu lado não só negro, mas anulante de qualquer existência – um caminho de desgraças, uma alma de maldade, vícios e preguiças, que também há em mim!

            Após a consulta, a caminhar com as mãos cerradas no bolso, fazia-me alguns questionamentos – embora, eu não consiga esconder de vocês que uma espécie de enlêvo estava andando comigo, pelo fato de eu ter grandes obrigações e trabalhos a serem feitos; como quando dizem a uma criança que suas mãos delicadas podem suportar o universo. Vinha-me a cabeça, por exemplo, como era cruel que eu tivesse agora que andar com a alma cheia de medos (já me bastava os tantos outros, viera-me mais esse), de que a minha parte mais frouxa viesse a tomar detenção do destino.

            Parece um paradoxo “a parte mais frouxa” ser quem vence, contudo não é o que parece ocorrer na implementação. Agora, por exemplo, embora haja necessidade de que eu componha sobre isso – além do mais, estive quase a fazer promessa – há algo dentro de mim que quer logo terminar tal texto! Quer urgentemente, pois eu mais estou a pensar num certo alguém que não me escreve, não me faz tocar o telefone, ou seja, nas minhas saudades! Pouco me importo agora. Portanto, deitar-me-ei na minha cama ao lado e embora esteja a lastimar de tal falta, nenhum chuvisco hei de alastrar – precisamente sou dual, a ponto de sentir consternação e não representá-la.

            O texto ficará para uma hora qualquer. E a Renata haverá de me desculpar, estou extraordinariamente agradecida pela idéia dela, todavia não farei jus a isso. Somente para preservar um lado que clama por preguiça e clemência quanto às minhas escassezes afetiva.



- Postado por: Karina às 16h32
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            Hoje somente ouço Elis Regina, e aguardo até que à noite possa ouvir o que tanto quero - segredo.

            Querem ouvi-la junto comigo, por enquanto?

            http://radio.terra.com.br/includes/internas_albuns/3/3684.html

          



- Postado por: Karina às 15h57
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“Os soluços são meu alimento, e meus gemidos transbordam como água.

 O que eu mais temia aconteceu para mim, e o que mais me apavorava me atingiu.

Vivo sem paz, sem tranqüilidade e sem descanso, em contínuo sobressalto”.

 

                                                                        Jó 3-4    

                                     

E ao  fundo toca-se a Valsa em Lá Maior, Op. 69 nº 1 BI. 95 “L’adieu”

-       Fryderyk Chopin; quando começo a escrever...

 

 

                  Há algumas horas não me imaginaria sentada nesta cadeira vacilante - hora eu a empurro para trás, noutra para frente - , já que é noite e eu assim,  

poderia saudar com maior coerência a beleza que tenho visto no adormecer. Todo o meu corpo e espírito licencioso,fadigado de enxergar todo este mundo de equipes a bordo, vem a se atrair na minha intensa cefaléia. Deito-me, comumente deito-me... Pois é pior que tenha que a carregar todo o meu maciço sem a concentração que o mundo não me oferece. Pois tenho que também estender a ele as minhas mãos trêmulas e roxas - com a minha circulação a prender-se nas mãos, e então, ficam demasiadamente pesadas para que eu possa também, bamba, agarrar o “artefato” mundo.



- Postado por: Karina às 00h48
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Ao estudar, sento-me com um medo arruinador. O que será de mim que já não me porto mais, a caminhar nos livros? Eu sou quem me deito por cima deles com os olhos esfalfados e fechados. Não sou nada. Ou serei? Depois de notar que não mais consigo estabelecer contato e me regozijar com a maravilha de ter bom patente e intelectualidade para o bem de nossa sociedade, fico a pensar o que me resta. Eis então que me surge o medo.

Desfaleço na minha densa inveja, de já não mais ter felicidade em tais coisas. Vou a fundo nas informações que coletei, e num cuidado desesperançado, tento “ser” - por mais angustiante que me seja, pois afinal, nosso mundo é bom e posso “compor” a minha personalidade abodegada através de inúmeros métodos terapêuticos! 

 Sinto-me sendo consumida numa alma hipocondríaca. Relembro-me - pois há quem enalteça, ao menos a minha memória - dos episódios traumáticos de minha infância. Esforço-me para achar intenso horror e decair-me em pena, quando, por exemplo, encontrava-me a chorar no chão da cozinha, escondida por baixo da mesa a pedir o colo sofregamente de minha mãe, e ter ao invés disso levado um diáfano tapa na cara. E há o episódio de ter sido trancada no quarto, em encovada escuridão, por horas, apenas a comer um hot-dog. E durante tais flashes fico a tremer, ansiosa para encontrar o meu crucificador.



- Postado por: Karina às 00h47
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Dá-me pânico ao pensar que estou a desenvolver uma personalidade narcisista, que nem sequer sinto o existir do mundo e da vida, simplesmente por causa da minha infância melancólica. Minha procura eterna por uma mãe que se torne ser uno - ao grudar-se nos meus batimentos acelerados. Enche-me a mente de parvoíces. Tenho ainda que conviver com a possibilidade de perder a razão - e sinto que pouco dela me resta - e isto é intensamente possível! As probabilidades não estão muito distantes... Em qualquer dia de maior desconforto (e sabe-se que os jovens quando se sentem lastimados tendem a partir para a agressividade), somado à minha antipatia por todo o social, e extrema anarquia para com toda a moral, além do apego ao mórbido; venha a tacar machado num sujeito. Sim, e eu tenho que sobreviver  mantendo-me lúcida e “nas ordens”.

Ao ter-me desorientado de tudo o quanto o viver amorfo me oferecia - tudo que manteria a minha alma mais quieta - sofro a cefaléia dos rebeldes, que deixam de haver. Contudo, ainda me alimento de algo, do meu medo. Ele surge porque ainda não sei como existir sem “pertencer”, e “agarrar”, ainda não sei... Às vezes minha fantasia branda para as “profissões” que o universo, também oferece aos desesperados e àqueles que se deixaram distrair da agulha magnética da sociedade. E a tentação em destruí-la e ver-se longe dela não é abismal, pois há ainda a faixa dos marginalizados e ruins, a que posso reclinar meu corpo descarnado.

                               

     E tudo pára, quando sinto que aquilo que me ocorre, é simplesmente, não saber como e o que “ser”. E vendo-me longe de cingir com gratidão todo o saber,  bonança e centralização do “bom lado”, vejo-me perdida. E o que me atormenta, é simplesmente o medo de agarrar um outro lado, jamais experimentado em totalidade e concretamente, ainda. Pois, destino-me a pensar, que só posso ser o que me mostram e vejo. E se sou insurrecta em não me satisfazer com o padrão de saúde humana, resta-me apenas a destruição já manifesta. E o que agora me salva, e pensar que possa a vir a ser nada, ou qualquer coisa que eu invente.

 

 

                                                28 de fevereiro de 2005.



- Postado por: Karina às 00h46
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                    "prosa poética e metralhada, não se importem com o desleixo"

            Relato dum Sonho - "profecia criativa"  

            Nesta noite sonhei que me encontrava num elevador. De repente um homem com olhos cheios de impressão, apareceu-me. Não hei de negar que já o conheci em vida real, quando me encontrava no supermercado a comprar pasta de dente, e eis que me aparece com os seus olhos azuis de doido, excessivamente faiscante, a contar-me toda a vida - e eu lhe contei uma história inventada, a respeito da minha. Mas, como falávamos do que eu vi em sonho, quando me encontrava sem um porquê aparente no elevador, apareceu pulando em minha frente:

            - Hei! Prepara-te, pois o elevador há de tremer! Lembra-te que andava a te sentir morta?

            - Ahã!? Que olhos! ... Sim, mas apesar de todas as desgraças que têm me ocorrido, sinto-me excessivamente viva agora. Estou a ver, moço, que na verdade tudo vem a ser aprendizado. - disse-lhe, embora não conseguisse disfarçar o meu desânimo, por causa da postura cansada e das roupas rebeldes.

            De repente o elevador veio a tremer, conforme eu tinha ouvido, e logo veio a estacionar. E então, aquelas palavras eram lúcidas! Prestei-lhe maior atenção, vi que se agregava lentamente à minha direita. Parou. Deu um sorrir que me lembrara o lunático dum filme de Stanley Kubrick, e logo senti as minhas pernas amolecerem-se, e pus-me a sentar, curvando o corpo e me rendendo - não mais daria qualquer feição de força!

            - Não seja raquítica! Bem sei dos teus medíocres esforços (dizia-me baixo, sempre muito baixo agora...), mas lhe trouxeram até aqui! Há de sentir e absorver toda a força vital de Marte!

            - Moço? Como?  - disse-lhe, enquanto erguia o meu rosto, descortinando-os dos braços anêmicos.

            - Sim, estamos a viajar para o núcleo de Ares... Lá visualizará todo o temor e horror da guerra (aliás, são os filhos deste lugar para onde iremos) e terá que ganhar vitalidade e força! - sempre animado, a pular e já aumentando o seu tom de voz; e eu já não podia mais dizer que me falava tudo baixo.

            - Força... Pois força é o que me falta! Mas... eu não entendo. Marte? Elevador? Você!?

            - Cala-te! Estou a lhe dar chances para que absorva tudo o que tinha que aprender num Karma anterior! Antes de chegar nesse... pois já está a te lascar toda! É possível que está tendo essa chance, de recuperar aquilo que aprendeu mal em tempos atrás, já fora de tua memória.

            Calei-me assim como foi pedido, pois já fazia com que minhas sobrancelhas ficassem tortas pra um lado, como quem se mistura em desconfianças e curiosidade. Impressionante! O que iria me ocorrer eu não sabia, e eu tinha um caapomonga ao meu lado, entretanto, era quem iria apertar o botão verde luminoso e levar-me ao "núcleo de Ares"! E o que seria isso?

            Levantei-me, já antecipando toda o corpo heróico que haveria de tomar, e embrutecer toda a roupagem, e talvez, até mesmo colocar um capacete de guerra. E eu analisava calmamente a telepatia que me era transmitida, de que o “núcleo de Ares  na realidade, tratava-se de uma intensa batalha. Para quê? Para tomar forças e a  tal da vitalidade; tratava-se primeiramente de auto-afirmação.

            - Exatamente, o que pensou! “Auto-afirmação”  e “vitalidade” (e descobri, enfim, que podia estar a ler pensamentos, o outro!). Porque é que o talvez falte para uma missão atual, em que te é cobrado uma outra coisa bem mais sutil...  Vou lhe explicar algo, antes de dar partida.

- Postado por: Karina às 00h57
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            Continua...

            E eu me encostei mais às laterais do elevador, pois me parecia que seria longo o falatório. Mas, foi breve, apenas disse-me e fiquei sem entender nada: que as coisas evoluíam e às vezes não só numa vida! E eu tinha perdido há tempos no mundo de Marte ou Ares por desistência e covardia, pois estive anteriormente dissimulada por afagos de Netuno, extremamente ilusório e protetor. E com violência, após creio que da morte, nasci em Marte e depois, creio que...

            - Creio que em Vênus! E não pode dizer que nasceu “em Vênus”, mas sim sob a lição “de Vênus” . Ou seja, precisa desenvolver coisas como o amor, o relacionamento com o mundo externo, com as pessoas. É preciso ser exteriorizada e sociável, não se esquecendo jamais de adolescer o teu afeto sólido e palpável. – contou-me com um ar de austero professor.

            Levantei-me e de repente vi-me largada numa selva sem qualquer arma, após ter visto o homem me adoecer com os olhos azuis coruscantes, apertando o botão dum verde tão agudo que me ficava seu ponto cintilante na visão, mesmo após tê-lo longe... Jogou-me ao “núcleo de Ares” para que eu pudesse aprender a resistir toda a brutalidade, a toda competição e não me perder de mim, apesar da circunstância. Pois estava anêmica num mundo daqueles que já tinham se afirmado, pois já tinham afrontado sem covardia todo aquele orbe de sangue.

            E depois, voltaria a todos os prazeres que no núcleo de Vênus me eram oferecidos, e saberia apanhá-los e compartilhar com todos tal eloqüência, do deleite de viver.                                                                                                   24 de fevereiro de 2005.



- Postado por: Karina às 00h55
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Inauguração

     Há tempos já pensava em criar um blog onde pudesse "prosar". Ocorre-me de já ter um, entretanto só publico poemas nele. Sou anti-prosa na verdade, e resolvi fazer o teste para ver se de fato não a suporto. Defendo a expressão espontânea e fácil das idéias: com versos tudo pode ser rapidamente captado e não é preciso ter maturidade e coêrencia para trazer beleza à coisa.

    Dentre muitas qualidades, o poema também não te cobra ótimos conhecimentos gramaticais, ortográfico etc. Basta jogar palavras - é bom que se faça de forma não muito vulgar, mas não é preciso ser um erudito em língüa portuguesa - , e até os neologismos são bem vindos, pois se demonstra originalidade ao usar termos apoéticos (e na prosa, trata-se de vício, falta de bom e correto vocabulário).

    Aquela sua filosofia mais doida pode ser expressada através do poema, e os símbolos contribuem muito para isso. Em prosa devo ter explicações bem consciêntes e formuladas de tudo aquilo que vou dizer - ou seja, ser mais científica e deixar em segundo plano a arte.

   O que estou a propor a mim ao fazer isto, é provar que estou errada e discrimino a prosa, pelo meu pouco contato com ela. Então, vou deitar de fato os dedos e correr rabiscos na tela - e tentar a ordem sem perder o lado espontâneo da arte. Mas, enquanto aqui estou a fazer nascer o blog - vejam, que só a cabecinha ainda saiu, dum parto que está a ser doloroso - dêem uma olhada em meus poemas:

 http://arcanosdafemeapensante.zip.net  (Uns Versos Quaisquer)        

   



- Postado por: Karina às 12h33
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